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Reflexions

Janeiro6

Pingos de luz os agarras tu ,
com eles meus olhos os serpenteias e penteias,
misturas-te tu nas tuas frias lavadas lágrimas
com que me dás a beber as minhas tão tuas lembranças.
Por cima da tela de teu passado cresce germinante
a vida que te corta e que te pouco importa,
aquela que tu simplesmente embalas e que
teu materno leite de musgo feito a beber dás.
Como se alimentam de ti,
aquelas criaturas que em ti
habitam.
Duas criaturas se deixam ceder na tua tentação,
que escorrem remoinhos de multi-colores memórias
que em ti te permanecerão riscadas.
Lavo meu olhar nas lágrimas de cristal que liquidificam
sombras de um passado que para ti mais observas como
teu presente.

Separação

Janeiro2
“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.”
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Sexo

Janeiro2
“Efémero, carnal, deleitoso,
É assim que me deixas louco!
Tu! Será amor? Será paixão?
Não!
És tu, com teu corpo de sereia!
Corpo ardente, louco de desejo,
Desesperado pelo toque suave,
Da paixão? Do amor? Não!
Toca, sente, delicia-te!
Não dura para sempre, não…
É efémero…
Instinto animal, inato,
Impossível de esconder, disfarçar,
Sempre querendo sair, expandir!
Vem, sacia o meu corpo, tu!
Esquecendo a alma perdida…
Abraça-me! Beija-me!
Minhas mãos te percorrem…
Teus lábios me percorrem…
E aí sim, chegamos juntos!
Ao descanso…”
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Musica – 1995 – Coimbra

Janeiro2
“A música doce, encanta-me,
Música calma, entristece-me.
Mágoas passadas, doridas…
Escondo-me por entre letras…
Nada mais me resta,
Senão este torpor invisível
Debatendo-se no meu corpo,
Procurando a tua alma…
Encontrarei? Não sei…
Mas prometo-te algo:
Não mais te procuro.
Encontra-me se queres.
Se me chamavas, não ouvi.
Mas senti! Onde estás?
Diz-me! Sofro, preciso…
Encontra-me e abraça-me…
Só isso peço, nada mais.
Um abraço teu, doce…
E na calma serei
Tua metade de sonho…”
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Acreditas

Janeiro2
Acreditas nos sonhos?
Vejo a tua imagem!
Repouso em ti a fronte
Não sei
Mas sei que no repousar
sobre o teu peito
sem fechar os olhos
No lançar dum olhar para cima
vejo o rosto de um anjo!?!?!
Da mulher que amo ?!
Acreditas naquele que em ti repousa???
Poderás manter a tranquilidade ?
Não o creio, mas sei…
Ao inclinar a fronte
sobre teu peito
Este se agita demasiado
para permitir o sono …
Apenas o amor e a paixão
Ficam acordados …

Onde estás

Janeiro2

Horas sós…

Em que te concebo próxima,

Mansamente fecho os olhos…

.. e viajo ao teu encontro!

Voo além mar…

E aplano todas a barreiras…

..Que o planeta e a vida teimam erguer!

Voo ainda mais longe…

Sem sair daqui…

Num passe de mágica

…num sonho…

Voo ainda mais longe

…ainda mais além!

Profundamente…

Perdidamente apaixonado!

Eu que…esqueço tudo!

Perco a noção do tempo…

…E até do espaço!

E tudo é e flui em mim, de mim.

Todas as cores do mundo…

…assim existem!

Todos os sons e sabores.

Eu posso e sigo assim feliz!

Só por… sonhar-te e desejar-te!

E acordo…

A negra luz, rasga a bela noite

e o meu sonho… por estares tão longe…

desfaz-se em mil pedaços…

Olho em volta…

Estou mais uma vez sozinho.

Só a saudade…

…habita o mesmo espaço meu!

Um caos de pensamento e de paixão

Minha alma solitária deambula…

Sem querer parecer lúdico…

Amar incondicionalmente.

Um amor único.

Talvez tu…”

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Vida murada

Janeiro2

Velas à solta,
minha nau enlouquecida
crava
na tua pele bravia
(gosto de alga e sal)

minha indelével marca.

Folha madura estala

quebra-se,
sábia, a terra a recolhe.

nada além
do caminhar entre ramagens,

falsos bosques

que murmuro,

entre dentes

as coisas dantes.

Regressar,
porque se é partida e fuga
sempre deixamos alguém à espera.

Que são os anos para quem
vive sob permanente encantamento?
Que é da existência,
quando desfeita a paisagem?

Muro o meu medo

Que medo tem de ter medo.


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Capilares Platinados

Janeiro2

Pelos capilares platinados
em um afago me faço
mimando a cada passo
a história que já passa.

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Sombras de sal

Janeiro2

Casam-se as sombras
enfeitadas de sal,
como o ar empestam
temperando-o com fel
e sabores acetinados.

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Canção de Embalar ( Ao som de Lullaby – The Cure )

Dezembro31

Caio em minha jangada de sono
despejo minhas verdades e adio
minhas vontades.

Sob um céu de estrelas
me apanho, semeando saberes
debaixo de um soporífero olhar,
esperando ser devorado
por um milhar de tacteantes
joões pestana.

O fino vento embala o entrelaçar
do meu olhar, soltando sotaques

de gentes em meu redor murmurados.

No meu sonho te procuro
saboreando sabores.

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