Browsing Rascunhos

Chuva de Quinta-Feira

Janeiro6

Abro minha janela, pego em minha sacola, saio em beijo sujo raspado no breve rosto de minha mãe, respiro um breve olhar e saio sem ver. Ao fundo das escadas parava o velho casmurro de sempre.

- Uma senha por… favor – Já desviava o olhar.
- Quanto é ?

Por baixo jorrava a água da chuva que batia em cima sem eu lhe ter dado conta que me presenteava por finos raiares azulados quais lá esperava a cada gota caída;

- 180 escudos se faz favor.
- Aqui estão.

Prata escura, fina e prateada líquida, como que se lhe tivessem posto as mãos nuas de um fantasma de fogo, jorrara para dentro de um bueiro, a monte pelos buracos expelidos pelas vigorosas máquinas de ferro, aço e chuva.

- Ora tenha um bom dia, uma boa viagem!
…esmoreci.

Já la tinha entrado em guarda-chuva fechado acordava-me adormecido, a meu ver dentro de uma hora já la estava. O ambiente era como o de um café de esquina, cheio e cheio de fumo, gentes gestos sacolas luz e chuva. Condenado nos vigorosos perfumes citadinos.
- Um bom guitarrista toca bem em qualquer guitarra! – Gritara o condutor meio ébrio de sono também ele de rijas barbas brancas de fazer lembrar idade igual para aquele veículo que conduzia, e que para seus passageiros, mal em si mesmo se segurava.

Crisp! Bizug! Zag! E lá nos movíamos nós para lugar mais distante.

Tacteei o meu lugar equilibrado enquanto a mim me fazia equilibrar, na infinita dança pelo veículo tomada.

Depois de sentado no solavancado assento, acentuei os meus joelhos enquanto juntava as minhas tralhas carregadas.

Comporto os sabores de sal

Janeiro6

Se te tentares lembrar, o ar de hoje cheira aquele que em tempos engolimos, aquela saliva entrelaçada que procurava filtrar o ar que suspiravas. O mar nesse dia fez-se lamber pelo ar em salpicos envolvidos em tacteantes nocturnas sombras,

posted under Rascunhos | No Comments »

Acreditas

Janeiro2
Acreditas nos sonhos?
Vejo a tua imagem!
Repouso em ti a fronte
Não sei
Mas sei que no repousar
sobre o teu peito
sem fechar os olhos
No lançar dum olhar para cima
vejo o rosto de um anjo!?!?!
Da mulher que amo ?!
Acreditas naquele que em ti repousa???
Poderás manter a tranquilidade ?
Não o creio, mas sei…
Ao inclinar a fronte
sobre teu peito
Este se agita demasiado
para permitir o sono …
Apenas o amor e a paixão
Ficam acordados …

Canção de Embalar ( Ao som de Lullaby – The Cure )

Dezembro31

Caio em minha jangada de sono
despejo minhas verdades e adio
minhas vontades.

Sob um céu de estrelas
me apanho, semeando saberes
debaixo de um soporífero olhar,
esperando ser devorado
por um milhar de tacteantes
joões pestana.

O fino vento embala o entrelaçar
do meu olhar, soltando sotaques

de gentes em meu redor murmurados.

No meu sonho te procuro
saboreando sabores.

Fotografias de ti ( Ao som de Pictures of You – The Cure )

Dezembro30

Passando pelo passado
te vejo, em embaraçado
desejo.

Como te vejo vivamente
mais viva do que me recordaria
agora.

Despejo em meus olhos,
a tua imagem, lavando a minha
recordação eterna,

como agora se aparenta brilhando
ao relento de um ar temperado.

Desperdício

Dezembro29

De desperdício me faço
em embaraçado traço,
tomando por intempéries
o teu temperado espaço.

memória nunca usada

Dezembro29

Chovem chuvas de saudades das palavras mudas,

arrastam nuvens que ofuscam a memória

nunca usada para a lembrança do murmúrio do

teu acordar.

posted under Rascunhos | No Comments »