Abril14
Pé ante pé devagar
eu sinto-te.
Adivinho o teu respirar
ouço o teu arrastar,
proximo, pressinto-te.
Não há pássaros, não há vida
só o vento a soprar.
Despertas-me para que perceba,
que voltas para me embalar.
E ai largo tudo por ti
deixo-me calmamente levar,
não adianta resistir
a mim, ao certo, que virá.
Janeiro27
Sente o pulsar na ponta dos dedos,
revive as memórias ao pormenor
expulsa um a um os teus medos
morre, se preciso, por algo maior.
Enfrenta o perigo dos dias,
da noite nada tens a temer
ela é a base das tuas alegrias
vêm comigo e deixa-te adormecer.
Deixa a energia que passa por ti fluir
nao a sustenhas pelas rédeas domada,
uma égua brava deixa de resistir
mas sua cabeça não é dominada.
Despe os teus farrapos lavados
concentra-te na tua missão,
livra-te de tormentos pesados
e luta firme com ambição.
Quando as forças te faltarem
não lamentes quanto a vida dura,
entrega-te quando te procurarem
a Lugubre Santa Cura.
Janeiro13
Numa noite que iluminava
um vasto campo de cruzes
escondido está o que amava
na caverna negra de luzes
levanta-se finalmente o vento
arrastando o fetido odor
descobre o local no momento
quando ouve o gemido de dor…
Do monte de carne decomposta
que outrora fora virgem pura
surge algo entre a fina crosta
é sim, é Lugubre Santa Cura!
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