Reflexions
Chuva de Quinta-Feira
Abro minha janela, pego em minha sacola, saio em beijo sujo raspado no breve rosto de minha mãe, respiro um breve olhar e saio sem ver. Ao fundo das escadas parava o velho casmurro de sempre.
- Uma senha por… favor – Já desviava o olhar.
- Quanto é ?
Por baixo jorrava a água da chuva que batia em cima sem eu lhe ter dado conta que me presenteava por finos raiares azulados quais lá esperava a cada gota caída;
- 180 escudos se faz favor.
- Aqui estão.
Prata escura, fina e prateada líquida, como que se lhe tivessem posto as mãos nuas de um fantasma de fogo, jorrara para dentro de um bueiro, a monte pelos buracos expelidos pelas vigorosas máquinas de ferro, aço e chuva.
- Ora tenha um bom dia, uma boa viagem!
…esmoreci.
Já la tinha entrado em guarda-chuva fechado acordava-me adormecido, a meu ver dentro de uma hora já la estava. O ambiente era como o de um café de esquina, cheio e cheio de fumo, gentes gestos sacolas luz e chuva. Condenado nos vigorosos perfumes citadinos.
- Um bom guitarrista toca bem em qualquer guitarra! – Gritara o condutor meio ébrio de sono também ele de rijas barbas brancas de fazer lembrar idade igual para aquele veículo que conduzia, e que para seus passageiros, mal em si mesmo se segurava.
Crisp! Bizug! Zag! E lá nos movíamos nós para lugar mais distante.
Tacteei o meu lugar equilibrado enquanto a mim me fazia equilibrar, na infinita dança pelo veículo tomada.
Depois de sentado no solavancado assento, acentuei os meus joelhos enquanto juntava as minhas tralhas carregadas.
Comporto os sabores de sal
Se te tentares lembrar, o ar de hoje cheira aquele que em tempos engolimos, aquela saliva entrelaçada que procurava filtrar o ar que suspiravas. O mar nesse dia fez-se lamber pelo ar em salpicos envolvidos em tacteantes nocturnas sombras,
Capilares Platinados
Pelos capilares platinados
em um afago me faço
mimando a cada passo
a história que já passa.
Sombras de sal
Casam-se as sombras
enfeitadas de sal,
como o ar empestam
temperando-o com fel
e sabores acetinados.
Canção de Embalar ( Ao som de Lullaby – The Cure )
Caio em minha jangada de sono
despejo minhas verdades e adio
minhas vontades.
Sob um céu de estrelas
me apanho, semeando saberes
debaixo de um soporífero olhar,
esperando ser devorado
por um milhar de tacteantes
joões pestana.
O fino vento embala o entrelaçar
do meu olhar, soltando sotaques
de gentes em meu redor murmurados.
No meu sonho te procuro
saboreando sabores.
Penitência
Segurando tocando meus ossos
Esmagados os derroto
Derretendo tomo teus esboços
Emaranhados os corto.
Seja feita a vossa vontade
Apagando todas cinzas,
Acendo então minha verdade
Corcundo as nossas vidas.
E mostrando vontade verdade
E então paro, exploro.
Destilo sem não minha cidade
Me conjugo me imploro.
E me crucifixo, desloco-me
E paro, escuto, olho,
E traço desnudo, orgulho-me!
Então passo meu orvalho…
… … … … … … … … … … … …
Mas esqueço e glorifico-me.
Byron (Miguel Costa) – Parnásio Lusitano – 1999
Fotografias de ti ( Ao som de Pictures of You – The Cure )
Passando pelo passado
te vejo, em embaraçado
desejo.
Como te vejo vivamente
mais viva do que me recordaria
agora.
Despejo em meus olhos,
a tua imagem, lavando a minha
recordação eterna,
como agora se aparenta brilhando
ao relento de um ar temperado.
Jangada
Queimo por entre meus dedos
o morrer da água calada
acostumo minha carne sobre
a doce jangada
à qual deito meus lençóis
e estendo minha cama.
colho o sibilar do cristal-mármore
que teima em deixar seus sulcos riscados
sobre a queimada ardente que seiva
em sua frente o desenhar de seus troncos
cavados.
rotundo sobre o suor prático
e vulgar da salvaguarda
queixosa que em negros perfumes.
se esquece e falece.
sonhos encantos de finos abalos
se empatam e empalam diante
meu semear de ténue abraço
gasto.
lento se torna meu remar
a tal passo se torna falso
e serve a paisagem das
fluviais mágoas faladas.



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