Gigantes das obras ociosas

Fevereiro6

Os gigantes das obras ociosas
São como torres que tombam.
Se assopradas no ângulo certo.

Engolem o orgulho e seguem envenenadas.
São como lombrigas num chão acetinado.

Sobram as sombras das urtigas queimadas.
Que num passado inverno
reluziam condenadas.

Assemelham-se a um distante caixão, que no seu entalhe corpóreo
se finalizam em terra.

por Miguel Costa, colocado em Poesia, Prosa Poética, Rascunhos | 3 Comentários »

Agosto21

Uma noite destas vi a eternidade!

Usar um sorriso para vencer no amor…

saber-lhe as manhas…

As, do amor…

Ouvir-lhe os desejos…

Os do amor…

Conhecer-lhes os truques…

Contrariar-lhe os amuos…

Dizer-lhe sim quando o vento nos sopra de feição…

Dizer-lhe não quando…

O amor elevou o poeta, o artista das letras, o encantador de emoções à condição de herói…

Derrubando montanhas, lutando contra moinhos de vento, viajando a teu lado, mesmo estando longe de ti…

Sempre ao sabor do amor, ou contra ele vou escrevendo…

Seduzindo-o.

Domesticando-me.

De cara erguida, tombada ou descaída… eu escrevo…

À força de letras, fazendo do que sinto arma contra o que não sentes…

Eu escrevo-te…

Hoje a dor e o amor já não guardam segredos apenas surpresas…

Mas ainda existem emoções que se elevam mais fortes do que nunca, e, no meio delas… apareces tu…

No início estranhamente… hoje… és minha “companheira” de pleno direito…

E já não quero descobrir mais mundos, apenas construir um… onde estejas tu…

Os mundos de que eu falei atrás, já foram todos dados ou tomados… resta-me construir…

A paixão é explosiva e incontrolável…

O amor é um dom…

A paixão é veloz, letal, destemida, exageradamente incompreensível…

A paixão, define-se como… paixão…

O amor; esse nunca é espontâneo…

Ele é o presente que estamos a viver, e projecta-se no futuro que é passado quando chega… mas o amor perdura…

O amor é um complemento sereno, completo…

Esperar-mos pela paixão ou pelo amor nos mundos que sonhamos, e, é nessa espera que tudo se joga e tudo se vai ganhando ou perdendo…

Existem aqueles que não sabem ou conseguem esperar… ou esperam tempo demais…

Cada história de amor tem o seu tempo, o seu modo…

Dar tempo ao amor para ele crescer pode ser mais sensato do que sonhá-lo…

Mas sonhá-lo é fraqueza da condição humana…

Sonhar que basta um instante para mudar a nossa vida…

Às vezes o coração ou os sonhos andam mais depressa que nós, e somos nós que os temos que deter…

O meu amor por ti, já me corre nas veias, já me alimenta os órgãos, …

O meu amor por ti é o mundo que quero construir a teu lado…

por João Amorim, colocado em Sem categoria | 1 Comentário »

Agosto1

o melhor do amor…
neste caso do meu…
não é amar-te, por todos os encantos que tens ou pelas linhas que possuis e que me fazem voar…
o melhor do meu amor, é o facto de ele ser já uma entidade superior a mim, com energia e vida própria, capaz de crescer e evoluir hibernando até perder a esperança de te ter…
o melhor do meu amor é que ele cresce dia-a-dia e já não precisa de te ver ou estar contigo para existir como entidade real…
este amor… o meu!… é total, incondicional e consistente… não se enchendo ou perdendo em sonhos e ilusões que mais cedo ou mais tarde cederiam à sua própria gravidade…
posso não te ter…
podes não me amar…
mas conseguiste pela tua forma de ser, fazer-me acreditar todos os dias em nós…
acreditar que estando a teu lado eu não poderia ter tido mais sorte (mas não estou), e que o nosso projecto sendo bom para nós seria ainda melhor para a evolução do mundo…
eu acredito no amor, definindo e cumprindo os objectivos a dois, sem me deixar impregnar pelo medo, ou pela rotina do dia-a-dia…
essa qu7e tanto sonho contigo…
amar-te é tanto acção como contemplação…
amar-te é escreve-lo…
pois não tenho a coragem para tu dizer…
e para o dizer ao mundo…
não pela vergonha de não me amares, mas pela tua vergonha de seres amada por mim…
amar-te é partilhar os amigos, a vida, a família e projectos de vida…
amar-te é ter coragem para viver feliz e sem reservas, de coração aberto pois ele é a nossa armadura contra as amarguras da vida…
viver contigo seria não baixar os braços pois és imensa para abarcar…
viver contigo era ter tudo na vida emocional e partir para a mais importante das aprendizagens…
a de nós próprios…
para te amar, tive que ser humilde para conhecer o pouco que conheço de ti… e amo tudo o que vejo e sei de ti…
viver contigo seria o espaço de abraços e beijos, de músicas e textos, e da maravilhosa reacção química que sinto quando estou a teu lado… nesses momentos renasço e sou intocável devido à acção da tua essência…
viver contigo seria uma acção a quatro mãos para cuidar de nós como um todo, com amor e futuro…
para isso poder acontecer deixa-me tentar agarrar-te como agarraria as nossas filhas, agarrar-te como o faria nos seus primeiros dias de vida… com o coração fora do peito, e a alma junto delas, pronto para o que der e vier…

sabes o amor não vem com o recibo do vencimento…
como muitos o procuram…

por João Amorim, colocado em Sem categoria | Sem comentários »

Julho28

há mais de dez milhões de pessoas em Portugal…

gente comum como eu e tu…

mas se olhar-mos atentamente, poderemos descobrir que algumas dessas pessoas são verdadeiramente extraordinárias, capazes de actos que nos deixam fascinados…

outras são amedrontadas, revoltadas e muitas até estão perdidas…

há mais de dez milhões de pessoas em Portugal…

gente comum como eu e tu…

mas se olhar-mos atentamente, poderemos descobrir que algumas dessas pessoas são verdadeiramente extraordinárias, capazes de com pouco dinheiro alimentarem seus filhos, pagarem seus remédios, ou ainda sorrirem de mãos dadas com o seu parceiro de décadas, enquanto olham as pessoas que passam, estando sentadas num banco de jardim…

há mais de dez milhões de pessoas em Portugal…

gente comum como eu e tu…

mas se olhar-mos atentamente, descobres algumas magníficas que fazem descobertas inventando o futuro, escrevem o passado, ou pintam o presente com tintas ou músicas…

há mais de dez milhões de pessoas em Portugal…

gente comum como eu e tu…

mas se olhar-mos atentamente, de todas que te amam, só eu fico perdido sem te ter, e nesse momento para ti sou gente comum e para mim és a soma dos dez milhões de pessoas em Portugal….

por João Amorim, colocado em Sem categoria | Sem comentários »

Julho26

a minha dor, diz mais do que as minhas palavras…
as minhas palavras, abrem portas para o meu passado…
o meu passado, permite olhar para o meu futuro…
o meu futuro, é a minha dor…
a minha dor, diz mais que as minhas palavras…

existem profissionais que pensam os textos para além das próprias ideias…
outros há, que estendem os seus textos, usando apenas a sua visão criativa…
outros escrevem por encomenda…
outros, não escrevem… apenas contam ao papel o que sentem…
huummm…
estes últimos são uns gajos porreiros…
um bom texto…
(os meus seriam jeitosos se alguém os corrigisse)
dizia eu. um bom texto vive não só do que se lê, mas principalmente do que não está visível: esta é a pedra de toque para quem me lê!
a primeira coisa a fazer quando me lês é olhar para mim, usando letra a letra… mas… em tudo há um mas; para me leres deves, tens que passar um dia no meu dia e não só comigo… passar um dia comigo, liberta de ti, cheia de mim…
terás uma desilusão, dada a simplicidade austera, da minha pessoa… contrariando a alma pujante de emoções e palavras…
esvaziada de ti estarás pronta para te encheres de mim…
ao invés de me leres com imagens muito preenchidas, vais receber-me ao natural na desordem do meu ser…
para me sentires, deves esquecer os detalhes da linguagem gráfica dos meus textos e usando a abstracção da tua forma de ser, deverás receber a composição que te dou, concentrando as tuas energias nas linhas dos meus sentimentos… e sonhos…
o primeiro plano dos meus textos é provavelmente algo difuso…
deverás ler-me uma e outra vez…
e de todas as vezes, irás conhecer mais um joão…
outro aspecto essencial, muitas vezes ignorado é veres os detalhes que meus textos não podem revelar… para não te identificar… no… e para o mundo…
quebrares as tuas regras é algo que te permitirá ver em mim a liberdade criativa e sensitiva…
um beijo para ti é muito, para mim é pouco, querendo eu um de muitos, de imensos…
nesse beijo e no abraço que ele merece, descobrirás a principal fraqueza do homem…

a minha dor, diz mais do que as minhas palavras…
as minhas palavras, abrem portas para o meu passado…
o meu passado, permite olhar para o meu futuro…
o meu futuro, é a minha dor…
a minha dor, diz mais que as minhas palavras…

a minha fraqueza és tu! tenho dito!

por João Amorim, colocado em Sem categoria | Sem comentários »

na solidão de uma vida hei-de te amar…

Julho21

na solidão de uma vida hei-de te amar…
na solidão do meu olhar…
eu sou um quarto fechado, tu és o céu aberto…
um paraíso lá fora…
um céu infinito…
opero nas trevas, para servir a luz…
sou um assassino…
conhecido por muad’dib, il mentore ou…
o guardião de ti e dos teus segredos…
tudo começa num salto de fé…
na torre de uma igreja…
nessa torre saltei para o vazio, e nesse instante uma esfera de fogo libertou-se no horizonte, iluminando a minha face…
um salto de fé no amor e em ti…
olhei-te enquanto o teu corpo se movia sensualmente, envolvido por uma brisa quente…
aproximei-me de ti…
toquei-te…
estavas quente e ao mesmo tempo húmida…
talvez pelo orvalho da manhã…
abrias-te gentilmente, e meu nariz tocou-te…
“saboreando” o teu perfume…
não resisti e toquei-te com gentileza…
tremeste…
descobri-te aveludada… gentil… entregaste-te a mim despudoradamente…
hoje ainda resides perto de mim e acompanhas-me em alguns dos meus textos…
outrora foste… única… esplêndida…
hoje és simplesmente uma rosa seca num livro…

por João Amorim, colocado em Sem categoria | Sem comentários »

a minha mulher de sonho

Julho13

A minha mulher de sonho, não tem o mundo a seus pés…
Mas tem-me a mim…
Uma lágrima não é muito, mas muito diz… mas muitas são um todo…
A minha mulher de sonho, não tem a pele mais perfeita, não tem as mais belas curvas nem os mais belos cabelos…
Mas o meu desejo incondicional por ela…
A maior árvore, ou a mais singela flor, são fruto de pequenas sementes…
A minha mulher de sonho, é…
Por todas as linhas do seu corpo, pelos cabelos, que um a um, unindo-se num todo, me fazem adora-los… ela és tu…
Hitler e João Paulo II foram gerados em ventres…
A minha mulher de sonho, não é reconhecida no mundo…
Mas sei o seu valor…
A dor é igual no rico e no pobre…
A minha mulher de sonho, não é a mais ardente…
Mas é a que faz amor comigo e está em mim… e eu nela…
O meu mais belo texto, tem as mesmas letras que a bíblia…
Se a minha mulher de sonho me quisesse…
Eu saberia honra-la por ela querer ser minha companheira…
Saberia estar a seu lado, dia a dia por eu ser o seu homem…

por João Amorim, colocado em Sem categoria | Sem comentários »

condenado à morte

Julho12

à meses que vivo com outro fantasma…
eu já não era um homem como outro qualquer… embora já o tenha sido à 20 anos atrás…
eu sorria, cantava e sonhava, era alegria e contemplação… era o João…
desenrolava os dias por entre os dias, fazia uma ou outra tropelia e sonhava em ser feliz…
hoje estou preso, agrilhoado à tristeza, ao sonho, ao plano feito e desfeito, num dia de Dezembro…
só penso, só tenho uma tristeza, e que queria alegria…
sacudo a dor como se fosse gelo das mãos e ela volta com a noite, mesmo sendo verão…
imagino-te na praia de areia branca…
imagino-te no meu Moçambique entrando pela tenda a dizendo-me:
- acorda dorminhoco! já é manhã!
e eu resmungo, pois a lua ainda não se pôs do outro lado do mundo, e, no nosso mundo, ainda são cinco da manhã…
o meu espírito, procura fugir mas estás lá…
uma dor fiel como fel, que se cola a mim como grades imaginárias da prisão do amor…
bebes sumo de laranja, e olhas o sol… que está baixo…
esticas a mão quase tocando-lhe e ele reage, fugindo para mais alto…
uma corça loura e um enorme leão passeiam lado a lado…
um elefante não disfarçando o seu espanto olha para eles, e, sem reparar, embate numa árvore acordando uma família de macacos, que enfurecidos lhe atiram cascas de banana…
o procurador-geral do reino da dor diz:
- condenado à morte!
e, eu…
espero-a, sem muito poder fazer, pois, viver sabendo que existes, sabendo a cor dos teus cabelos, o tom da tua pele, o toque do teu olhar, e a tua pele…
outra vez tua pele que se faz mel em minha alma…
a tua voz, o teu olhar meigo e sedutor, as tuas mãos, o teu andar decidido, tu, enfim tu..
condenado à morte!
porque não?!!
homens melhores que eu também o foram…
outros que te amaram sabem do que falo, e, eu condenado à morte!
à morte, por não te ter, nem conseguir dizer o quanto me fazes falta…
para restaurar a tela que é minha alma…
para restaurar a esperança…
para com tintas mil colorir a minha vida…
eu!
condenado à morte!

por João Amorim, colocado em Sem categoria | Sem comentários »

lontrinha

Julho11

Quando escrevo dou à personagem o corpo de uma mulher, ou, transformo uma mulher numa personagem?

A vida é a cronologia, é o somatório de várias cronologias numa só, ou melhor dizendo, fundir as datas e transformà-las em vida dando-lhes coerência numa existência.

Quando escrevo não é raro existir uma multidão de personagens no meu quarto, embora eu só revele duas…

Mas tenho, quero e preciso de continuar a escrever pois se parar a multidão vai embora da minha casa da minha alma, do meu coração e da minha vida… e eu só de mim, e do mundo, fico e e ficarei louco por isso e para o evitar escrevo…

Quando escrevo para além de me sentir vivo, às vezes vou peneirando as cinzas da minha vida.

Mas escrever para ti deixa-me como um bébé amamentado…

O meu sonho e plagiando alguém é que quando voltar a reencarnar a minha vida se desenrole ao contrário, começando já velho num lar e ir rejuvenescendo até ter idade para ir trabalhar, e receber logo à partida o jantar de despedida e quarenta anos depois ir para a faculdade e de bebedeira em bebedeira, de orgia em orgia entrar no secundário ainda meio tonto onde de atitudes inconsequentes em atitudes mimadas chego ao ciclo e deparo-me com o primeiro tesão… a primária será feita com um sorriso nos lábios, de terna felicidade, até adormecer reconfortado no ventre da minha mãe…

por João Amorim, colocado em Poesia, Sem categoria | Sem comentários »

O meu nome é Touro.

Julho2

Vivi em tempos nas frescas montanhas
acariciando no interior da minha boca
o Sol capturado pelo verde que nelas vive.

Vivo agora no mundo dos Homens
(que engoliu o meu).
Onde o mesmo há muito se esqueceu
(que vive no meu).

Dizem que o dia para o qual nasci chegou.

Mas as línguas dos Homens são bandarilhas
que cravejam a carne do meu corpo.
Que se deixam lamber pelo vento,
prostrando assim os seus desejos sanguinários.

Acordam o corte que me deixa latejante,
enquanto lidam o meu frustrante ansejo
de manifestar perante tamanho festejo.

(Como se regozijam pelos trajados enfeites).

Memórias são lavadas enquanto varridas,
para os meus olhos despidos.
Onde em um um último fulgor
a minha vida termina.

por Miguel Costa, colocado em Ecopoesia, Poesia, Sem categoria | Sem comentários »
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